2019 e uma revolução por todos os lados

Atualizado: 10 de Ago de 2019


Isto não é uma beterraba cortada em forma de coração. É toda uma metáfora que eu não seria capaz de explicar em duas linhas. / Foto: Andréia Pires


O ano é 2019. E nunca, nesse pouco mais de três décadas, mudei tanto.


Tem sido um processo incrível esse de, finalmente, encontrar comigo. É salto para dentro de um eu que cada vez tem menos limites e medos e pudores. É sem garantia de aterrissagem, é vertigem pura, desconforto, choro, grito, riso, tudo dando um passo para o lado para que todo o resto vá se aconchegando. Pulei sem para-quedas. Na minha camiseta, no peito diz "vai ficar tudo bem", nas costas "voa. pode passar do céu".


Estou adorando.


Em dezembro faço 35. Trinta e cinco.

Como é que isso foi acontecer? Ainda ontem tinha vinte e poucos, saía da faculdade apavorada com o futuro e um sonho-certeza: a escrita. Corri, andei, driblei, estacionei, errei o trajeto, voltei, andei mais, errei mais um tanto, aprendi coisas, realizei muito projeto, mudei de casa, de hábitos, de interesses, quebrei a cara, colei os caquinhos: cheguei aqui. Escrevendo sempre, no meu ritmo, como pude. Para respirar melhor.


Fiz uma lista com todos os desafios que quero superar antes dos 35. Já risquei quase metade dos tópicos. Esse de voltar com o blog, inclusive. Era um item confuso que dizia sobre voltar a escrever com regularidade, não só ficção, de tudo que me importasse - como nos velhos tempos, e me reconectar com quem gosta de me ler. Desde o início dos 2000, algumas pessoas queridas me acompanham de perto nisso de ser escritora e embora nunca tenha deixado de produzir, perdi a constância de publicar e isso estava me fazendo falta e fazendo me sentir em falta com esses leitores, os que torcem por mim e me querem bem de verdade.


Poucos e bons.


Poucos e bons, como diz sobre praticamente tudo a voz sensata aqui de dentro que me orienta a levar a vida nos últimos tempos. Não quero mais nada que sobre sem necessidade, que acumule sem propósito, que exista sem sentido. Se não me emocionar, recuso. Se não for de afeto, não escrevo. E se não for pra valer, não me contém. Aprendi a ir embora como um passarinho: voando do meu jeito e sem criar caso. Sinto que estou cada dia mais livre. Cheia de histórias para contar.


Passei uns dois anos sem escrever um conto sequer, num bloqueio seco de criatividade que me dava angústia e fazia pensar na fraude que eu provavelmente era. Fraude é meuzôvo, me rebati tantas vezes. Era o meu processo e aprendi a respeitar os meus tempos como eles se apresentam e exigem de mim. E aprendi a dizer não sem morrer um pouco, convencida das minhas escolhas e possibilidades. A gente morre demais nessa vida, mas também nasce que nem sei. Prefiro os nasceres. Mil vezes. Tem jeito de sol, de colorido, de praia do Cassino, de esperança, de sim. E eu quero me apossar dos equilíbrios, claro, essa maravilha toda que é amadurecer, mas quero mais ainda fazer uso do meu direito inalienável de ser exatamente como desejo ser, de me construir inteira, de me contar, de ser autora full time.


Daí que cobinei comigo que voltaria para cá. E que viria com regularidade, e dividiria meus processos criativos, ficções e notícias bacanas. E que seria rigorosa com o conteúdo publicado aqui, somente o significativo. O mundo já tá tão exausto de bla-bla-bla, não vou eu ser mais uma a falar vazio.


Ficamos combinados, então, que trago alguma novidade uma vez por semana.


Poucas e boas, apenas.

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