Julinha do 302



1.


Coisa boa quando acordo depois do domingo e tem sol. Não precisa ninguém me falar, eu já sei o que fazer: pego a caixa do leite na geladeira, desenrosco a tampa e viro no meu copo verde de Maiqueuazausqui até ficar faltando o espaço de um dedo deitado para chegar na borda. Depois, pego a colherinha na gaveta e o pote do chocolate na prateleira e jogo o pó no leite uma, duas, três vezes e mexo até ficar bem marrom. Tomo tudo, às vezes de gutiguti às vezes bem devagar, a língua estralada entre um e outro. Limpo meu bigode com guardanapo de papel, boto a bolinha amassada no lixo e deixo a louça suja na pia. A mãe diz que uma hora vai me mostrar como se lava copo sujo de leite, mas essa hora dela nunca chega.


Revisei a mochila umas quantas vezes e já tá tudo lá: caderno de aula, caderno de tema, estojo, casaco do uniforme e o meu zelfo Kitsu da sabedoria, que me ajuda a aprender mais rápido na escola. A merenda tenho que esperar a mãe aprontar. Outra coisa na fila dos ensinamentos. Comecei a fazer uma lista, na ordem que eu acho mais importante. Já tem cinco coisas que ela tem que me ensinar. Botei o lanche no número um, que se eu pego o jeito de montar tudo na lancheira em seguida vou poder armar meu sanduíche com queijo e presunto dobrados e se eu esquecer, assim, por acidente, as duas frutas, ninguém vai reparar. Eu não vou mesmo.


Quando o relógio fica com o ponteiro grande no doze e o menor no dez a mãe diz que é hora do banho e eu vou. Que saco quando ela fica gritando lá da cozinha que eu tenho que lavar direito o umbigo o meio dos dedos atrás das orelhas para não dar cascão. Fico com vontade de gritar de volta que ela venha lavar melhor, então. Mas não faço, que da outra vez que eu abri a boca para reclamar ela veio mesmo e ainda me deu dois cascudos. Eu gosto de tomar banho, quando ela vai ver isso? Preciso de ajuda é no secar as costas. Meu braço não alcança, mas para não ter que pedir eu visto a camiseta por cima das gotinhas mesmo.


O uniforme da minha escola é azul escuro com uma listra azul claro. A camiseta é branca. Acho que ia ficar mais bonito se fosse também verde, vermelho, laranja, rosa, lilás, todas as cores. Outro dia choveu muito e a mãe não tinha com quem me deixar em casa de tarde enquanto trabalhava. Ela disse que não tinha escapatória, eu ia para o colégio com toró e tudo. Aí, aconteceu uma das coisas mais mágicas do universo: ela me colocou as botas de chuva amarelas pela primeira vez e eu fiquei me sentindo tão linda e luminosa que eu acho até que aquele calçado me deu poderes. Desde aquele dia, sempre que eu me visto termino colocando as botas amarelas, mesmo quando não tá chovendo. Porque eu gosto, me sinto bem. No início a mãe brigava e me fazia trocar pelos tênis de cadarço, mas agora acho que ela cansou e quando me vê com as botas só sacode a cabeça e diz guria tu não tem jeito. De vez em quando até ri. Eu sei que ela também me acha bonita de bota amarela. Eu me sinto uma faísca. Várias faíscas. Uma fogueira inteira. O sol!


Escovo os dentes, passo pente no cabelo e fico esperando a mãe acabar de se arrumar para me levar à aula. Eu adoro aula. Mas a mãe demora tanto no banheiro, tanto, que tenho medo que alguma coisa ruim aconteça com ela lá dentro. Que ela seja sugada pelo vaso. Que ela se desmanche na água quente do chuveiro e vá embora pelo ralo, Que ela frite com um choque do secador de cabelo. Eu penso essas coisas assustadoras toda vez que ela custa a aparecer na sala. Para trocar de pensamento eu inventei um truque: subo no encosto do sofá e fico olhando a rua pela janela. Arredo a cortina e sigo os carros dum lado para o outro com a ponta do meu dedo no vidro. Ou carroça. Ou bicicleta. Ou as pessoas que correm. Pronto, já esqueço tudo de ruim que poderia acontecer com a minha mãe. Tem tanta gente lá embaixo hoje, perto da lagoa, que será?

Ó, pelo barulho dos pés no corredor a mãe já vai chegar aqui e dizer Julinha, vambora?


Eu tô sempre pronta.


***


2.


Tirando sábado e domingo, que eu vou para minha outra casa, nos outros dias assim que liga a luz dos postes na rua eu fico pela sala. Eu tô sempre pronta, mas depois que escurece eu tô prontinha prontíssima prontona. Pronta, pronta. O meu pai passa aqui para me ver quando termina o trabalho dele na loja. E o trabalho dele termina às seis e meia ou dezoito e trinta, que é a mesma coisa, os dois ponteiros do relógio da parede apontando para baixo, no seis. Eu queria ter só uma casa de novo.


O pai vende camisas, calças, sapatos, toucas, cintos, casacos chiques, só roupa de homem. Todo dia ele faz isso, fica lá dizendo por gentileza, posso ajudar, o que deseja. Eu acho que no fundo ele não gosta muito desse serviço e se esforça para fazer tudo certo. Meu pai é quieto, fala pouco com gente estranha, mas comigo ele conversa bastante. Agora, então, que a gente se vê todo dia só um pouquinho, o que mais tem é papo: o que tu fez na escola hoje? O que é essa marquinha no teu queixo? Acho que tu cresceu de ontem para cá, vamos medir? E essa nossa hora de pai e filha, das sete às oito, parece que estica de tanta coisa que a gente faz junto.


A minha altura a gente grava no lado da porta com canetinha. Eu escolho a cor. Tô gostando muito de amarelo e verde limão. Hoje é dia de amarelo. Antes que o pai chegue eu mesma me mido. Mido, não. Como é que se diz? Não me lembro. Bem, eu tento medir eu mesma, mas é difícil acertar na madeirinha por cima da minha cabeça. Outro dia usei a vermelha e fiz um baita risco na parede branca, a mãe ficou furiosa, mandou limpar com esponja e detergente. Saiu quase tudo. Era um metro e nove que eu tinha. Já cheguei no um metro e dez. E faz vinte e nove dias que não saio disso. Tenho quase certeza de que, na verdade, sou anã. Anões têm no máximo um metro e trinta, eu vi na tevê. E as meninas param de crescer muito cedo. Também vi na tevê. Vai ver eu já parei de crescer e é isso: vou ser anã para o resto da vida. As gurias na escola tudo grande, alta, e eu toco de amarrar bote, pintora de rodapé. O que será bote? E rodapé?


E o pai que não chega? Ele toca a campainha e eu corro para a porta. Subo na mesinha e olho quem é pelo olho mágico. Se for o pai, dou as duas voltas na chave e já me jogo no colo quando ele entra em casa. Coisa boa, me penduro no pescoço dele. A mãe desceu, foi na padaria. Disse um monte de vezes para pelo amor de Deus eu não sair da sala, não abrir a porta, não mexer em fogo e não dizer para ninguém que estou sozinha, que ela não demora nada. Só que agora eu não sei o que fazer. A campainha tocou e não é o meu pai. É o homem lá de cima, aquele que tem um cachorro gigante. Do seis zero dois. Fiquei parada, o coração pulando na garganta, medo de ele descobrir que eu tô bem aqui e não quero atender. Tocou de novo. Bateu na porta. Não vai embora, que velho chato.


- Oi, tio.


- Oi, querida. Sua mãe está?


- Não. Foi na padaria.


Que droga. Contei. A mãe vai me matar. Tomara que o pai chegue e me salve dessa.


- Ah. Eu queria falar com ela. É muito importante. Preciso deixar um documento. Pode abrir a porta para eu deixar o papel com a senhorita?


- Não. Não posso abrir. Tô sozinha agora, tio.


- Entendo. Querida, vou passar o envelope por baixo da porta, sim? É para sua mãe ler com atenção. Por favor, avise que volto mais tarde.


- Tá.


Ai, tô ralada.


***


3.


- Se tu fosse gato não teria problema agora, mãe. Gato limpa tudo com a língua. Lambe, lambe, lambe, até o banho é de lambida.


Eu tava tentando ajudar, mostrar para a mãe que não é o fim do mundo não ter água em casa (e que os gatos são os animais de estimação mais perfeitos que existem e por isso a gente era para ter um, faz horas que eu insisto), mas aí ela largou o prato ensaboado no canto da pia e se virou para mim apertando a boca e os olhos daquele jeito que eu já sei que é melhor ficar bem quieta e sair de perto, porque ela tá é atacada. Me mandou buscar água numa garrafa de dois litro lá da torneira direta. Quando perguntei que torneira direta ela gritou A DA RUA. E eu achei que era melhor me virar, descobrir sozinha onde era a tal torneira, a esperar resposta, correndo o risco de sair de lombo quente da cozinha.


Peguei a garrafa e fui para o elevador. Apertei o botão um. Só alcanço até o três, que é o do meu andar. Isso é um saco, muito injusto. Eu a-do-ro andar de elevador, mas só consigo subir até o fim se alguém entra aqui e aperta para lá. Resolvi que hoje é um bom dia para passear de elevador. Maravilhoso dia. Tô sentindo que é meu dia de sorte. Então não é sorte faltar água em casa e eu já estar de banho tomado? Se é.

Sabia. Entrou o tio que cuida dos apartamentos todos, o cínico. Ele é o cínico do prédio. Ele sempre me encontra aqui, a gente conversa às vezes. Andamos bastante juntos hoje, fomos até o seis! Voltei para o um. Entrou agora aquela moça do cabelão, lá do cinco. Vou subir! Subir, subir, subir! Ela é tão elegante, com essas pulseiras de ouro e a bolsa cheia de livros, a boca pintada de vermelho. Tem sempre um livro aparecendo, na mão ou na bolsa. Ela deve ser boa aluna.


- Que lindas tuas botas amarelas. Ficam muito bem em ti.


Agradeci. Ela reparou nas minhas botas, me achou bonita e riu para mim. Ela parece uma fada de tão linda. E alta. Como é comprida! Saiu. Lá vou eu para baixo, dedo no um.


Nem foi difícil encontrar a torneira direta. Tinha uma fila de gente com baldes, panelas e garrafas querendo água também. Eu que não quis entrar na fila, já chega na escola que para tudo é uma fila, um olhando a cabeça do outro para sempre. Botei a garrafa para guardar o meu lugar, a tia do cinco zero dois disse que reparava a minha vez. Fui olhar a plantação de florzinhas no canteiro. Mais um sinal da minha super sorte: uma caixa de sapato miante no meio da grama, só podia ser: um gato. E um gato bebê.


***


4.


Tomara que não seja o fim do mundo. Essa água subindo, subindo e invadindo as casas das pessoas, tomara que não seja o fim do mundo. Eu amo sol. Eu acho que quando tem sol a minha vida é muito mais legal. E eu acho que quando tem chuva dá tudo errado, as pessoas e as coisas ficam cinza e sem graça e sem energia. Eu tenho contado no calendário, nos dias que faz sol eu desenho uma carinha amarela com sorriso e nos que faz chuva eu desenho tristeza, uma boca com os cantos para baixo, que é bem a minha cara nesses dias. E tem chovido um bocado. Deu no jornal que por ser tanta chuva perigava a lagoa avançar e alcançar as casas mais próximas da beira.


Isso tá acontecendo. E eu tô de castigo. Tomara que não seja o fim do mundo, o condomínio alagado, e eu aqui de castigo. Que saco. Não que eu tenha medo de água, até sei nadar bem pouquinho, e se precisar tem no armário a minha boia de braço, é só encher. Eu vou morrer nesse castigo. Tudo porque o Fito não soube ficar escondido, nem disfarçado, nem na dele. Tinha que escapar debaixo da minha cama, andar pelo corredor e miar bem perto do pé da mãe? Ela olhou para aquela bolotinha preta e entendeu na hora. Só não deu jeito de mandar o bicho embora ainda porque não dá para sair do prédio com essa água toda na portaria.


Fito. Chamei o gato de Fito por três motivos: um, é o nome que tá no disco que o pai deu pra minha mãe e ela adora, o disco, foi o último aniversário dela que ele ainda morava aqui; dois, são só quatro letras e eu escrevo facinho, primeiro o efe, depois o i, o tê e o o; e três, porque eu também gosto muito das músicas do disco Fito, tem um etê na capa. A mãe não deixou o gato ficar no meu quarto. Levou a caminha dele para a lavanderia. Essa noite vou dormir lá, enroscada com o Fito. É só a mãe descansar de mim que eu plim, vou parar lá com meu travesseiro, bem quietinha. Já tô no castigo mesmo, azar.


Chove tanto e há tanto tempo que meu pai não consegue vir me ver. Só telefona, mas não é igual. Quando penso que não posso ver meu pai vai me dando uma coisa por dentro, parece que tenho uma bola na barriga. É muito ruim. Eu queria ele morando aqui, comigo, de bem com a mãe. Aposto que ele teria convencido a mãe a me deixar ficar com o Fito. Faz dias que eu penso nisso, que se eles conversarem vão se entender de novo e acabar com essa bobagem de ficar longe. O pai já me disse que sente saudade nossa. A mãe às vezes chora antes de dormir e fica passando a mão no lado dele da cama, o vazio. Só falta um começar a fazer as pazes.


OI FERNANDA.

EU TE AMO AINDA.

E QERRIA MORA AÍ NO APATAMETO COM VOSSES DE NOVO.

VAMO FICA DE BEIM?


BEIJOS DO LUCIANO


Pronto. Faz de conta que foi o pai que escreveu essa carta de pazes para a minha mãe, colocou na caixa de correspondência, porque não conseguia subir aqui. Ela vai pegar, vai ler, e vai querer voltar o casamento na hora. Eu voltaria na hora para o meu pai, se fosse ela. No fim, até que o castigo nem tá tão chato. Agora tenho que fazer a dela para ele. Eu sou muito gênia.


OI LUCIANO.

APARESSEU UM GATO AQI.

NÃO SEI O QE FAZE SÓ TU SABE CUIDA DE GATO.

EU TE AMO MUINTO.

QER VOUTA A MORA AQI DENOVO?


BEIJOS DA FERNANDA.


Eu acho que se o pai visse a carta que a mãe fez para ele, faz de conta que foi ela, ele já vinha ficar aqui hoje mesmo. É que ainda tá chovendo e a água já chegou na ponta da escada. Não tenho como mandar a carta para ele, a mãe mandar a carta para ele. Terceiro dia sem ir na escola, terceiro dia de castigo, terceiro dia sem ver o meu pai. Vou explodir. Ou ter caganeira. A minha barriga só faz barulho.


O Fito lambe meus dedinhos no chinelo e sobe pelas calças do meu pijama enquanto fico aqui tendo ideias. Eu já amo esse gato, tanto tanto. E já amo essa chuva que não para e por isso obriga o Fito a ficar comigo. Só falta meu pai aqui. Fiz um plano que pode funcionar. Preciso ligar para ele. E contar que achei uma carta na mesinha da entrada, para ele. Pergunto se ele quer que eu leia, pelo telefone, porque deve ser muito importante. É claro que ele vai querer. Daí eu leio. Daí ele se derrete todo. Daí ele dá um jeito e arruma um caíco e umas botas de chuva que nem as minhas e uma sombrinha e corre para cá. Sobe. E fica. Fica com a gente, como antes. E o Fito fica também. E fim.


- Alô, Julinha, que saudade, filha!


Botei o plano em ação. Li tudinho, melhor do que quando a professora pede para ler alguma história na frente de todos os meus colegas. O pai ficou quieto. Continuou quieto. E então me prometeu que amanhã sem falta vem me ver. E resolver o caso do gato.


***


5.


Ele vem. Ele vem. Ele vem. Parou de chover, é claro que ele vem. E se não vier eu tô ralada, porque agora a mãe já pode sair e achar um outro dono para o Fito. Eu juro por Deus que me mato comendo uva e tomando leite, tudo ao mesmo tempo, se ela me tirar o gato. Ou morro de seca de tanto chorar. De alguma maneira, eu morro. Eu morro.


Depois da escola almoçamos num restaurante. Era para comemorar o retorno do sol, ela falou. No caminho para casa a mãe me disse, daquele jeito que parece que tá falando com ela mesma mas na verdade é comigo, que de noite tinha uma reunião dos vizinhos no salão e ela ia faltar. Que meu pai queria ter uma conversa séria com ela lá em casa. É o meu plano dando certo, pensei. Na entrada, ela pegou as correspondências todas e subiu até o três comigo pela mão, de elevador. Ela sempre deixa para ver as cartas quando entra em casa, larga a bolsa e senta na poltrona azul. Hoje foi assim também. Fiquei espiando lá da cozinha.


A mãe fez uma cara franzida quando leu a carta do meu pai para ela. Passou um tempão olhando para o papel. Acho que ela não sabe ler muito bem. Eu não podia me oferecer para ajudar a ler, e se ela se ofendesse? A Marcela, da minha turma, sempre chora quando alguém lê por ela as palavras em que ela trava. Tomei meu leite da tarde e fui para a lavanderia brincar com o Fito.


Meu pai chegou antes das luzes dos postes se acenderem, muito estranho. Só pode ser porque está com pressa para voltar a morar com a gente. Eu no lugar dele também viria o mais cedo possível. Botei o Fito dentro do meu casaco do uniforme e corri para o pai. Teve beijo, teve abraço, teve carinho na cabeça do gato. E teve conversa séria. Comigo. O pai e a mãe, sentados lado a lado no sofá, cada um com uma carta na mão, queriam saber o que significava aquilo.


- Cartas? Não são cartas? Para mim são cartas...


Eu tinha sido descoberta, não sei como. Dizem que mãe sabe tudo, adivinha, é meio bruxa. Só pode ser isso. Eu fiz a letra igualzinha a do meu pai. A dela foi mais difícil, mas ficou boa também, quase perfeita. Meus pais são muito espertos. Os dois bruxos, tenho certeza.


Disseram que o Fito vai poder ficar comigo. Minhas bochechas estão doendo de tanto que meu sorriso abriu no rosto. Não consigo fechar. E nem quero! O pai e a mãe estão numa conversa só os dois faz horas lá no quarto deles. Eu vim com o Fito para o meu quarto. Tô no castigo de novo. Ainda tem sol na rua, mas tudo bem. Tô sentindo que hoje é mais um dos meus dias de sorte.


***

O conto Julinha do 302 faz parte do projeto Condomínio Saint-Hillaire, um romance coletivo produzido pelos escritores do Invitro - Laboratório de Escrita Criativa, e publicado pela editora Quinhentos e Cinquenta, em 2017.

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