O corpo conta


Leituras de apoio para a oficina de escrita criativa O corpo conta. | Imagem: Andréia Pires

Trabalho com escrita há anos: ensinando, aprendendo, multiplicando, militando, amando, provocando pessoas a tomarem a palavra escrita para si também, esse poder. Quando penso nas experiências profissionais que tive até aqui [comecei cedo...], é com um quentinho no peito que constato que não fiz outra coisa senão lidar com escritas, a complexidade do gesto de transformar em palavra anotada a expressão. Não tem fim, não tem limite o que se pode fazer com a invenção por escrito e esse tanto de possibilidades continua ocupando meu interesse inteiro.


Amanhã é um dia importante. Vai ser a primeira oficina de escrita criativa que faço no Cassino depois de virar moradora do bairro e de trazer a Concha Editora literalmente para perto do mar. A primeira oficina que faço este ano pela Concha, na cafeteria que foi a primeira parceira da editora e que prontamente acolheu a proposta de agenda de atividades culturais pelos próximos meses. A primeira oficina com vagas esgotadas (alou, sucesso!). São muitas primeiras vezes e uma baita expectativa da minha parte, não sei evitar. Quem aposta na literatura, nas pessoas e na cidade junto comigo tem meu coração e o que mais precisar de mim.


O material já está pronto, revisado e eu cheia de assunto. Não vejo a hora de encontrar o grupo que vai passar duas horas conversando sobre literatura e escrevendo comigo na Doce Café da Avenida Rio Grande. Certeza de que um rolê de escrita chama outro, sabe? Setembro foi intenso [ponto altíssimo foi participar do projeto de remição pela leitura na Penitenciária Estadual de Rio Grande com o Um ninho no estranho - não vou esquecer esse dia.] e outubro vai chegar para nós, Concha e eu, com oficinas, rodas de conversa, lançamentos e até estreia em feiras. Quero tudo.


Dia desses, depois daquela temporada de chuvas, postei no instagram a foto de uma árvore renovada e na legenda escrevi que às vezes me sentia imparável, como aqueles verdes e marrons todos no troco que o inverno não dá conta de segurar. O corpo conta dessas coisas em detalhes, porque importa e diz de si o tempo todo, porque é resultado e fala do acumulado de intempéries e brisas, qualquer temperatura ou condição. Às vezes, como agora, que a vida vai indo com jeito de que faz um sentido tremendo, sou bem aquela árvore. E é tão bom. <3

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contato@andreiapires.com.br | Rio Grande (RS)

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